Cultivar ideal na sucessão de culturas representa ganhos na soja e controle da doença.
As perdas por nematóides chegam a 10,6% da soja mundial e estão presentes em todo território brasileiro. Um problema para o produtor que acontece de quatro formas principais: nematoide das galhas (Meloidogyne incognita), nematoide das lesões (Pratylenchus brachyurus), nematoide de cistos (Heterodera glycines) e nematoide reniforme (Rotylenchulus reniformis).
Os danos causados à planta vem pela injeção de toxinas. Com um tipo de estilete que tem na cabeça, o nematoide injeta enzimas que degradam células dos vegetais, degrando raízes e gerando prejuízos. As raízes não conseguem absorver água e nutrientes e isso reflete no tamanho da planta e qualidade produtiva.
A engenheira agrônoma e professora da Universidade Estadual de Maringá (UEM/PR), Cláudia Arieira, destaca a evolução rápida da doença. “Se na germinação da planta entrar 1 nematoide do gênero Meloidogyne na raiz em 25 dias serão 500 ovos. Se apenas 5% reinfectar serão 25 nematoides em 25 dias. Em 50 dias de semeadura serão 625. Aos 75 dias seriam 15,625 e aos 100 dias quase 340 mil nematoides”, exemplifica.
A especialista participou de um Webinar promovido pela Biotrigo e mostrou que dificilmente haverá só um tipo de nematoide em uma lavoura. “Por isso o ideal é atacar o nematoide na fase ovo e juvenil, antes de penetrarem a raiz ou reduzir no período de entressafra para evitar os danos por altas populações na safra”, comenta.
Neste cenário entra o manejo integrado que demanda diversas estratégias combinadas: controle químico (nematicidas em TSI ou sulco), genético (cultivares resistentes e performance no campo), cultural (rotação e sucessão de culturas) e biológico (responde por 90% do tratamento no Brasil com uso de fungos e bactérias aplicados em semente ou sulco de semeadura, sendo isolada ou associada no manejo).
No manejo cultural Cláudia aponta algumas questões:
– A primeira estratégia é bloquear a entrada do nematoide. Isso é difícil porque os nematoides já estão nativos do nosso solo. Cuidado no transporte de máquinas; faça eliminação das plantas voluntárias de milho e soja (tiguera); plantas daninhas são hospedeiras e multiplicadoras na entressafra, com destaque para buva e capim-amargoso.
– Solos com mais matéria orgânica tem menos nematóides por isso plantio direto é opção. Para gerar matéria orgânica na própria lavoura é interessante optar por cultivares que deixem boa palhada.
– Quanto mais variável as plantas do sistema de sucessão (mix de culturas) mais é possível controlar nematóides.
– Alterar cultura de sucessão à soja.
Trigo é opção
O trigo é uma cultivar diferente de soja e milho e, por isso, entra como aliada no controle de nematoides. O cereal entra no sistema de sucessão trazendo retorno econômico, palhada com boa cobertura de solo e impede germinação de daninhas, além de maior produtividade da soja em sucessão e de ser adaptado às condições climáticas do inverno para todas regiões do Brasil.
“Se eu tenho uma área infestada com nematoide ideal é consultar um técnico para ver que cultivar de trigo mais se adéqua às minhas necessidades e tipos de nematóides presentes no sojo”, completa a pesquisadora.
Ela ainda aponta os passos para o sucesso na lavoura: primeiro ponto é conhecer o nematóide que tem na sua propriedade, planejar um manejo integrado e monitorar constantemente.
publicado em 05.05.2020 em Trigo pode diminuir nematoides na soja